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Educação, tecnologias digitais e bem-estar 13 jun

Educação, tecnologias digitais e bem-estar

Tecnologias digitais em favor da educação? Aprender no ambiente digital pode ser mais democrático, mais inclusivo e mais nocivo, se considerado o tempo de exposição às telas.

Com a chegada massiva da Internet, no início do século, novas tecnologias digitais de informação e comunicação ganharam força dentro dos espaços de educação. Dinâmicas e metodologias de ensino vêm se transformado e, com a descentralização das salas de aula (suportada por diferentes recursos multimídia), há um movimento maior de democratização e acessibilidade da aprendizagem.

Assistir à aula a qualquer momento (ensino à distância), maior acessibilidade para pessoas com deficiência (videoaulas com legenda, audiobooks, impressoras 3D), alcance a mais fontes de pesquisa, intercâmbio de experiências, são fatores que contribuem para que a classificação das tecnologias digitais na educação seja positiva. No entanto, aprender no ambiente digital implica, por vezes, em uma exclusão maior de espaços coletivos e, necessariamente, a uma exposição maior às telas.

Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, recomenda-se que crianças entre 2 e 8 anos utilizem as telas no máximo uma hora por dia e o uso de celulares apenas a partir dos 8 anos. Quando a criança fica exposta ao uso das telas por muito tempo, ela perde a oportunidade de praticar habilidades importantes como manter contato com outras pessoas, objetos físicos e a natureza. Além disso, e não só para as crianças, estar na frente das telas por longos períodos pode causar efeitos nocivos à saúde, como:

  • Distúrbios do sono, levando a outras condições médicas crônicas, tais como obesidade, diabetes, depressão, ansiedade;
  • Dessensibilização do sistema de recompensa do cérebro, ou seja, liberação de muita dopamina, que leva ao vício;
  • Aumento do risco de distúrbios emocionais, comportamentais e de doenças como Alzheimer e demências;
  • Atraso cognitivo, distúrbio de aprendizado, aumento de impulsividade, diminuição da habilidade de regulação própria das emoções e déficit de atenção.

Sobre os riscos de uma educação firmada exclusivamente em tecnologias digitais, o Instituto Alana – organização da sociedade civil que trabalha pelos direitos das crianças e adolescentes – tem promovido o termo “desemparedamento da Infância”, cunhado pela professora Léa Tiriba –  educadora-ambientalista – que significa “aproveitar os espaços externos dentro e fora das escolas e incluir práticas pedagógicas que favoreçam atividades ao ar livre, tanto para brincar quanto para aprender”.

Poder movimentar-se livremente, na natureza, melhora todos os indicadores de saúde, bem-estar e contribui para o desenvolvimento integral das crianças. Por isso, criar espaços escolares mais verdes, brincantes e em sintonia com seus territórios, promovendo o desemparedamento da infância e da juventude, é essencial para trazer benefícios para estudantes, para a comunidade escolar, para a própria aprendizagem e para as cidades!

Dicas para aprender, estudar e manter o bem-estar em tempos de imersão às tecnologias digitais
  • Combine a exposição às telas com a prática de atividades que não necessitam de tecnologia, como: jogos de tabuleiro, leitura de livros, música, pintura etc.;
  • Mantenha contato com a natureza;
  • Atente-se ao tempo de uso dos dispositivos eletrônicos, estabelecendo regras de uso, como: não utilizar 2 horas antes de dormir ou durante as refeições;
  • Ao cuidar de crianças e adolescentes, faça a mediação do uso da tecnologia digital e fale abertamente sobre os perigos da exposição às telas.
O psicodrama como ferramenta para manter o equilíbrio em tempos de imersão às tecnologias digitais

Por ser uma abordagem que estimula o resgate da espontaneidade-criatividade, o contato e o desenvolvimento humano no estabelecimento de inter-relações transformadoras, saudáveis e profundas, o psicodrama e profissionais psicodramatistas podem auxiliar no estabelecimento de um equilíbrio entre as vidas que acontecem física e virtualmente. Conheça mais sobre nossos cursos.  

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