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Envelhecer: quais os desafios deste processo para nós, humanos? 27 maio

Envelhecer: quais os desafios deste processo para nós, humanos?

Envelhecer é um processo natural e inevitável pelo qual também passamos, caracterizado por uma série de mudanças físicas, mentais, emocionais e sociais; e, embora apresente desafios únicos, é importante encará-lo (o envelhecimento) com uma atitude positiva e saudável.

Ecléa Bosi, professora emérita e titular do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho no Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de São Paulo (USP), em uma de suas obras mais famosas, intitulada “Memória e sociedade – Lembranças de velhos”, traz a seguinte reflexão: “Antes do afastamento definitivo há um declínio lento, intermitente, acompanhado de dolorosa lucidez. Muitas vezes o idoso absorve a ideologia voraz do lucro e da eficácia e repete: ‘É assim mesmo que deve acontecer, a gente perde a serventia, dá lugar aos moços… Para que serve um velho, só para dar trabalho…’”. (cap. 2, pág. 76).

Em nossa sociedade contemporânea, fundada sob conceitos como o do mérito, da produção individual e da dignificação do trabalho, envelhecer deixa de ser apenas uma jornada inevitável de mudanças fisiológicas para ser também um árduo enfrentamento de desafios, tanto psicológicos quanto sociais.

Por ser considerado socialmente apenas por sua força produtiva, o “homem velho” (aqui entende-se homem por ser humano) suprime toda sua complexidade e potência, resignando-se com a falsa ideia de que envelhecer é sinônimo de inutilidade. Com isso, depressão, ansiedade, baixa autoestima, solidão e isolamento social apresentam-se como sintomas deste processo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que mais de 20% das pessoas com mais de 60 anos sofrem de algum transtorno mental ou neurológico. No entanto, é importante ressaltar que essa estimativa pode variar significativamente entre diferentes países e regiões, cabendo ainda destacar a subnotificação destes casos em países em desenvolvimento, como o Brasil.

Não à toa, o termo etarismo (forma de preconceito ou discriminação baseada na idade de uma pessoa) tem sido pauta em diferentes âmbitos, como mercado de trabalho, publicidade e propaganda, sistemas de saúde, relacionamentos interpessoais… e ainda tem composto discussões sobre diversidade, equidade e inclusão social, já que esta é uma poderosa ferramenta de conexão, empoderamento e promoção da a autoestima. (Leia nosso artigo “Inclusão Social”).

Envelhecer: estratégias de enfrentamento

  1.   Promova a autoestima e a autonomia: busque e incentive sua independência e a autossuficiência sempre que possível, mantendo uma imagem positiva de si mesmo e a sua valorização.
  2.   Cultive conexões sociais: você é mais que seu trabalho e pode seguir contribuindo de diferentes maneiras e em diferentes grupos sociais, para estudos, ações de voluntariado, bem-estar, entre outros.
  3.   Advogue por direitos e dignidade: conheça o Estatuto do Idoso, Lei Federal nº 10.741/2003, que estabelece os direitos das pessoas idosas e as medidas de proteção à sua dignidade, saúde, segurança, participação e bem-estar; e busque apoio especializado, seja pelo Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), por advocacias ou ONGS especializadas, ou até mesmo pela Defensoria Pública.
  4.   Adote um estilo de vida saudável: dietas equilibradas, prática de exercícios regulares e evitar o consumo excessivo de álcool, tabaco e remédios não prescritos podem apoiar na saúde física e mental da terceira idade.
  5.   Busque apoio profissional: a terapia individual ou em grupo pode ser uma ferramenta valiosa para lidar com questões psicológicas relacionadas ao envelhecimento, como depressão, ansiedade e luto.

Envelhecer pode apresentar uma série de desafios psicológicos e sociais, mas também pode ser uma fase gratificante e significativa da vida. Ao enfrentar esses desafios com resiliência, apoio social e estratégias de enfrentamento eficazes, os idosos podem viver uma vida plena e satisfatória, mantendo sua saúde mental e emocional.

O psicodrama, por ser uma abordagem que estimula o contato e o desenvolvimento humano no estabelecimento de inter-relações transformadoras, saudáveis e profundas, pode auxiliar nesta transição de fase de forma mais equilibrada e saudável. 

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